O Credo / Artigo 7

O Retorno do Rei

De onde há de vir a julgar os vivos e os mortos

O Juízo Final, Michelangelo
O Último Julgamento, afresco na Capela Sistina por Michelangelo

"Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros..."

— Mateus 25, 31-32

Amigos, A história da humanidade não é um ciclo sem fim, como pensavam os antigos gregos ou as religiões orientais (reencarnação). A história tem um início (Criação), um centro (Redenção) e terá um fim glorioso (Parusia).

O Sétimo Artigo do Credo — "De onde há de vir a julgar os vivos e os mortos" — nos lembra que Jesus, que subiu aos céus, voltará. Mas desta vez, não virá na humildade da manjedoura ou na dor da Cruz, mas na glória de Juiz Supremo. Vamos entender este mistério sem medo, guiados pela luz da Bíblia e do Catecismo.

1. A Parusia: A Segunda Vinda

A palavra técnica para a volta de Jesus é Parusia (presença, chegada). O Cristianismo é essencialmente uma religião de espera. Vivemos no "já e ainda não": Jesus já nos salvou, mas a história ainda não foi concluída.

O Catecismo (CIC, n. 673-677) nos ensina que, antes dessa vinda, a Igreja passará por uma prova final que abalará a fé de muitos crentes. Mas no final, Cristo triunfará sobre o mal não por um debate político, mas pela manifestação fulminante da Sua verdade.

"Maranatha: Vem, Senhor Jesus!"

A oração mais antiga da Igreja

Nós não sabemos o dia nem a hora (Mt 24, 36). Por isso, a atitude do cristão é a vigilância. Não vivemos com medo do fim do mundo, mas com saudade do Senhor que vem.

2. Os Dois Juízos: Particular e Universal

A Igreja distingue dois momentos de julgamento, que muitas vezes as pessoas confundem.

Juízo Particular

Na hora da morte

No exato instante da morte, a alma se separa do corpo e recebe sua retribuição imediata: Céu, Purgatório ou Inferno. "No entardecer da vida, seremos julgados pelo amor" (São João da Cruz).

Juízo Universal

No fim dos tempos

Acontecerá na volta de Cristo, junto com a Ressurreição da Carne. Revelará a justiça de Deus diante de toda a história e o sentido último da criação. Todas as máscaras cairão.

3. O Critério do Julgamento

Como seremos julgados? Jesus não nos deixou no escuro. Em Mateus 25, Ele antecipa as perguntas da "prova final". O critério será a Caridade concreta.

"Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber..."

Não seremos julgados apenas pelo mal que fizemos (pecados de comissão), mas também pelo bem que deixamos de fazer (pecados de omissão). Jesus se identifica com os pequenos. Rejeitar o pobre, o doente ou o necessitado é rejeitar o próprio Cristo.

4. Julgar os Vivos e os Mortos

A expressão "vivos e mortos" tem dois sentidos na Tradição:

  • Sentido Cronológico: Aqueles que estiverem vivos na época da volta de Jesus e aqueles que já morreram séculos antes. Ninguém escapará.
  • Sentido Espiritual: Os "vivos" são os que estão na graça de Deus; os "mortos" são os que estão em pecado mortal (mortos espiritualmente).

O julgamento de Cristo não é arbitrário. Ele apenas ratifica a escolha que nós fizemos durante a vida. Quem escolheu viver longe de Deus, terá seu desejo respeitado eternamente (inferno). Quem escolheu amar a Deus, terá seu desejo plenificado (céu).


Conclusão

Crer no Juízo é motivo de esperança, não de pavor. Significa que o mal, a dor e a morte não têm a última palavra. Hitler, Stalin e os perseguidores não vencerão. A última palavra pertence a Jesus Cristo, o Rei da Misericórdia e da Justiça.

Com a vinda gloriosa de Cristo, encerra-se a Segunda Parte do Credo (sobre o Filho). No próximo estudo, entraremos no mistério da santificação, voltando nosso olhar para a Terceira Pessoa da Trindade: "Creio no Espírito Santo".

Até lá!