O Credo / Artigo 6

A Humanidade no Trono

“Subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso”

'A Ascensão' de Benjamin West (1801)
"A Ascensão" de Benjamin West (1801)

"O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi arrebatado ao céu e sentou-se à direita de Deus."

— Marcos 16, 19

Amigos, Quarenta dias após a Ressurreição, o mistério da presença física de Jesus na terra chega ao fim. Se a Páscoa foi a vitória sobre a morte, a Ascensão é a festa da coroação do Rei.

O Sexto Artigo do Credo afirma: "Subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso".

Não devemos imaginar este evento apenas como uma "viagem espacial" de Jesus para além das nuvens. A Ascensão é um mistério teológico que muda a estrutura do universo e o destino de cada um de nós. Vamos compreender o porquê, guiados pela Escritura e pelo Catecismo da Igreja Católica (CIC).

A Diferença entre Ressurreição e Ascensão

Durante os quarenta dias que se seguiram à Páscoa, Jesus apareceu aos seus discípulos, comeu com eles e instruiu-os sobre o Reino de Deus (At 1, 3). Sua glória ainda estava, de certa forma, velada sob os traços de uma humanidade comum para confirmar a fé dos apóstolos.

A Entrada Definitiva

O Catecismo (CIC, n. 659) ensina que a Ascensão marca a entrada definitiva da humanidade de Jesus no domínio celeste de Deus. Ele deixa de ser visível na terra para estar presente de um modo novo. Jesus precisava "ir" para que o Espírito Santo pudesse vir (Jo 16, 7). Se Ele tivesse ficado fisicamente em Jerusalém, seria o Rei de um local geográfico. Ao subir aos céus, Ele se torna universal.

O Significado de "Sentado à Direita"

Deus Pai não tem corpo, portanto não tem "mão direita" ou "esquerda" em sentido físico. O que isso significa então? A expressão "sentar-se à direita" é uma linguagem bíblica de realeza e poder judicial.

  • Na Bíblia

    O Salmo 110 profetizava: "Disse o Senhor ao meu Senhor: Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como escabelo de teus pés".

  • No Catecismo

    O CIC (n. 663-664) explica que sentar-se à direita do Pai significa a inauguração do Reino do Messias. A partir desse momento, Jesus é o Pantokrator (o Senhor de Tudo).

A Nossa Carne na Trindade

Este é o ponto mais consolador para nós. Quando Jesus sobe, Ele não deixa a sua humanidade para trás como uma roupa velha. Ele leva o Seu corpo — com as chagas gloriosas — para dentro do Céu.

São Leão Magno dizia que a Ascensão é a nossa exaltação. Onde está a Cabeça (Cristo), ali também tem esperança de estar o Corpo (nós). Pense na profundidade disto: neste exato momento, no centro da Santíssima Trindade, há um coração humano pulsando. A natureza humana, que foi expulsa do Paraíso terrestre em Adão, foi agora elevada acima dos anjos em Cristo.

O Sumo Sacerdote que Intercede

O que Jesus está fazendo no Céu agora? Ele não está "descansando". A Carta aos Hebreus revela que Ele está "sempre vivo para interceder por nós" (Hb 7, 25).

O Catecismo (CIC, n. 662) apresenta Jesus como o Sumo Sacerdote da Nova Aliança. No santuário do céu, Ele apresenta ininterruptamente ao Pai o sacrifício da Cruz. Ele mostra as suas chagas ao Pai como um advogado mostra as provas da defesa. Quando você peca e se arrepende, é Cristo quem advoga a sua causa diante do Trono.


Conclusão

A Ascensão não é um adeus, é um "até logo". Os anjos disseram aos apóstolos: "Esse Jesus... virá do mesmo modo que o vistes ir para o céu" (At 1, 11).

Enquanto esperamos o Seu retorno, não ficamos olhando para o céu de braços cruzados. Fortalecidos por saber que nosso Rei está no comando, descemos à luta diária para construir o Seu Reino aqui.

Mas a história ainda não acabou. Haverá um juízo final. É sobre este evento tremendo e esperançoso que o Credo falará a seguir: "De onde há de vir a julgar os vivos e os mortos".

Até lá!