O Credo / Artigo 2

O Coração da Fé

"E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor"

Jesus e o jovem rico, por Heinrich Hofmann, 1889
Jesus e o jovem rico, por Heinrich Hofmann, 1889

"Simão Pedro respondeu: 'Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo'. Jesus lhe disse: 'Feliz és tu, Simão, filho de Jonas...'"

— Mateus 16, 16-17

Amigos, Após termos estabelecido o alicerce da nossa fé no Deus Pai, voltamo-nos agora para o centro absoluto do Cristianismo. A fé cristã não é, primariamente, a aceitação de um código moral ou de uma filosofia de vida; ela é a adesão vital a uma Pessoa.

O Catecismo ensina que o mistério de Cristo é o centro da catequese (CIC, n. 426). No Segundo Artigo do Credo — "E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor" — professamos quatro verdades capitais que definem a identidade do nosso Salvador.

1. Jesus

"Deus Salva"

O Nome que contém a Presença. É o único nome divino que traz a salvação.

2. Cristo

"Ungido (Messias)"

O título da missão. Ele é o Sacerdote, Profeta e Rei esperado por Israel.

3. Filho Único

"Divindade"

Distinção de natureza. Ele não é filho adotivo como nós, mas Filho eterno por natureza.

4. Nosso Senhor

"Kyrios"

Soberania divina. Ele é o dono da vida, da história e da morte.

1. Jesus: O Nome que Contém a Presença

Tudo começa com um nome que não foi escolhido por homens. "Jesus" (em hebraico Yeshua) significa literalmente "Deus Salva".

Na teologia bíblica, o nome revela a essência da pessoa. O Nome de Jesus significa que o próprio Deus está presente na pessoa do Seu Filho para salvar. São Tomás de Aquino argumenta que este nome é perfeitamente "conveniente": enquanto Josué salvou de inimigos temporais, Jesus veio nos salvar do inimigo eterno: o pecado e a morte.

2. Cristo: O Ungido

Muitos pensam que "Cristo" é o sobrenome de Jesus. Na verdade, é um título de glória. Vem do grego Christos (Messias em hebraico) e significa "Ungido".

Na antiga Israel, reis e sacerdotes eram ungidos com óleo para uma missão. Jesus é O Cristo porque foi ungido pelo Espírito Santo em plenitude. Ele realiza o triplo ofício:

  • Sacerdote Eterno: Oferece a Si mesmo na Cruz.
  • Profeta Definitivo: É a própria Palavra de Deus.
  • Rei Universal: Cujo reino não terá fim.

3. Filho Único: A Distinção de Natureza

Aqui chegamos ao ponto que distingue o Cristianismo. Nós confessamos que Jesus é o Filho Único de Deus.

"Gerado, não criado, consubstancial ao Pai." (Credo Niceno)

Nós somos filhos por adoção e graça (Deus nos acolhe). Jesus é Filho por natureza. Ele possui a mesma substância divina do Pai. Nunca houve um tempo em que Ele não existisse. Sem a divindade de Jesus, a cruz seria apenas a morte trágica de um homem bom, sem poder infinito para nos salvar.

4. Nosso Senhor: A Soberania

Por fim, o Credo nos leva a uma confissão de adoração: Jesus é o Senhor (Kyrios). No Antigo Testamento, este título substituía o nome impronunciável de Deus (YHWH). Ao chamar Jesus de Senhor, estamos afirmando que Ele é Deus e tem poder total sobre nós.

Isso tem uma consequência prática devastadora para o nosso ego. Se Jesus é o Senhor, Ele é o dono da minha vida, do meu dinheiro, do meu futuro. Dizer "Jesus é o Senhor" é declarar total dependência.


Conclusão

Este segundo artigo não é uma teoria abstrata. É um convite. Ao dizermos "Creio em Jesus Cristo", estamos confiando nossa salvação ao Seu Nome, aceitando Sua unção, adorando Sua divindade e nos submetendo ao Seu senhorio.

Tendo contemplado a glória eterna do Filho, no próximo estudo desceremos à humildade da terra para ver como Ele entrou na nossa história: "Foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria".

Até lá!