Introdução / Capítulo 4.3

O Sagrado Magistério

"O Guardião Vivo da Verdade"

Vista da basílica e praça por Viviano Codazzi numa pintura de 1630
Vista da basílica e praça por Viviano Codazzi numa pintura de 1630.

"Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou."

— Lucas 10, 16

Amigos em Cristo, a paz! Chegamos ao último artigo da nossa série sobre os fundamentos da Revelação. Vimos que Deus falou conosco (Revelação), que essa fala foi registrada por escrito (Escritura) e transmitida na vida da Igreja (Tradição).

Porém, surge uma questão inevitável: quem tem a autoridade final para dizer o que a Bíblia realmente significa? Se cada um interpretar a Escritura à sua maneira, teremos — como infelizmente vemos no mundo — milhares de divisões e opiniões contraditórias sobre o mesmo Cristo.

Para garantir a unidade da fé e a fidelidade à Verdade, Cristo instituiu uma autoridade viva em Sua Igreja: o Sagrado Magistério.

1. O Que é o Magistério?

O Magistério não é um grupo de "donos da verdade". É o ofício de ensinar conferido por Cristo aos Apóstolos e seus sucessores. Concretamente, o Magistério é formado pelo Papa (sucessor de São Pedro) e pelos Bispos que estão em comunhão com ele.

"O encargo de interpretar autenticamente a Palavra de Deus, escrita ou contida na Tradição, foi confiado exclusivamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo."

— CIC, n. 85

2. Servidor, não Senhor

É fundamental entender que o Magistério não está acima da Palavra de Deus. Ele é seu servidor. A Constituição Dei Verbum ensina que o Papa e os bispos não podem ensinar nada novo, nenhuma "novidade" que não esteja contida no Depósito da Fé. Eles apenas guardam o que foi revelado, protegem contra erros e interpretam com autoridade quando surgem dúvidas.

3. A Necessidade Lógica

São Tomás de Aquino

Por que precisamos de um Magistério?
Na Suma Teológica, São Tomás argumenta que, para haver unidade na fé, é necessário que haja um juiz visível com autoridade para decidir as questões controversas. Sem essa autoridade viva, a fé se fragmentaria em infinitas opiniões particulares, destruindo a unidade que Cristo pediu ("Que todos sejam um").

4. A Autoridade e a Infalibilidade

Para cumprir essa missão impossível aos homens, Cristo deu à Sua Igreja o carisma da infalibilidade. Isso não significa que o Papa não peca (ele se confessa como nós).

Significa que, quando ele define uma doutrina sobre fé e moral de modo solene (ex cathedra), ou quando o Magistério ordinário universal ensina uma verdade definitiva, o Espírito Santo impede que a Igreja erre. É a promessa de Jesus: "As portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16, 18).


Conclusão

Santo Agostinho dizia que a autoridade da Igreja é o braço seguro que nos sustenta na Verdade. Sem o Magistério, a Bíblia seria um livro de discórdia e a Tradição se perderia na história. Com o Magistério, temos a certeza de ouvir a voz do próprio Cristo ecoando hoje: "Quem vos ouve, a mim ouve".